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“O templo religioso, sobretudo no Rio de Janeiro, foi um centro irradiador de cultura ao longo dos três primeiros séculos de existência do Brasil. Muitas igrejas históricas foram demolidas, é verdade […].
No entanto por mais que o tempo e o progresso tenha alterado a fisionomia do Rio, são muitos os tesouros remanescentes”.

José Mario Pereira

Roteiro Turístico

Bem-vindo a Cidade Maravilhosa! Preparamos um roteiro para visitar algumas das mais belas igrejas do Centro do Rio de Janeiro.

Baixe aqui o roteiro em PDF:

O turismo religioso configura-se por ser uma modalidade da atividade turística muito dinâmica, que possibilita além da satisfação das necessidades espirituais, a experiência de enriquecimento cultural e histórico da Cidade. O Rio de Janeiro, em suas igrejas, guarda preciosidades!

O roteiro das Igrejas do Rio faz uma pequena seleção de alguns dos mais belos templos religiosos do centro do Rio, permitindo uma viagem no tempo, com estilos arquitetônicos que variam do colonial ao barroco, passando por influências renascentistas clássicas, indo do neogótico até o modernismo.

Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro

A Catedral teve sua pedra fundamental abençoada e lançada por D. Jaime de Barros Câmara em 20 de janeiro de 1964, sendo Sumo Pontífice S.S. o Papa Paulo VI. Foi inaugurada no dia 15 de agosto de 1979, sendo projetada pelo arquiteto Edgar de Oliveira da Fonseca.

Seus números são extraordinários: a construção possui 75 metros de altura externa e 64 metros de altura interna, 106 metros de diâmetro externo e 96 metros de diâmetro interno, uma área total de 8 mil metros quadrados e capacidade para abrigar 20 mil pessoas em pé ou 5 mil sentadas.

A porta principal, de 18 metros, é decorada com 48 placas com baixo-relevo em bronze, tratando o tema fé.

O monumento social, cultural e religioso teve como inspiração a pirâmide Chichén Itzá – uma obra da civilização Maia localizada na Península de Yucatan, no México. Porém, ela possui forma circular e cônica, diferentemente da construção Maia, que tem a base quadrada. Os quatro vitrais (64,50 x 17,80 x 9,60 metros cada), que parecem estar abraçados por fios de Betão, simbolizam as quatro características da igreja: Una, Santa, Católica e Apostólica.

No subsolo há o Museu de Arte Sacra, com destaque para a fonte usada para batizar os príncipes da Família Real, a estátua de N.S. do Rosário, o trono de D.Pedro II e a Rosa de Ouro concedida à Princesa Isabel pelo Papa Leão XIII celebrando sua assinatura do Ato de Abolição da Escravatura no Brasil.

Convento e Igreja de Santo Antônio

O Convento de Santo Antônio é uma das mais antigas instituições religiosas e católicas da Cidade. Localizado em uma posição privilegiada, domina a paisagem do Largo da Carioca e imediações, tendo duas igrejas à sua direita, a Igreja de Santo António e a da Penitência.

A Igreja de Santo Antônio foi construída entre 1608 a 1620, graças a Frei Francisco dos Santos. A aparência externa da Igreja reflete a influência Jesuítica, com portadas de pedra portuguesa de lioz, tendo três portas no primeiro pavimento, três janelas de peitoril, com vidraças no coro, frontão reto apresentando um óculo no tímpano.

O Convento que ladeia a igreja pelo lado esquerdo, é edificação da segunda metade do setecentos e constitui uma sólida massa edificada de três andares, com pequenas e espaçadas janelas.

No interior da Igreja, as pinturas que ornam a capela-mor e os trabalhos de talha nela encontrados, juntamente com os outros dois altares da nave formam um raro conjunto de obras que mantêm a feição do gosto artístico do nosso barroco inicial.

A Sacristia representa notável composição arquitetônica, reúne um conjunto destacado de obras do século XVIII, entre elas, o arcaz confeccionado em 1749 por Manoel Alves Setúbal, os azulejos e os painéis emoldurados representando cenas da vida de Santo Antônio.

Igreja da Ordem Terceira da São Francisco da Penitência

Um dos mais belos exemplos de Arte Barroca e Rococó luso-brasileira do Brasil.

Fundada no Rio de Janeiro em 1619, a Ordem Terceira de São Francisco de Assis, também chamada de São Francisco da Penitência, funcionou inicialmente na capela de Nossa Senhora da Conceição, na própria igreja conventual. Ainda no século XVII, foi iniciada a construção da atual igreja, à direita do convento, mas as obras só tomaram impulso no século seguinte. A conclusão definitiva do corpo da igreja data de 1748.

Composta de três corpos separados e com telhados distintos, a construção foge ao padrão habitual das igrejas construídas no Brasil na época colonial. A singularidade dessa é acentuada ainda pela ausência de torres ou sineiras, por exigência dos frades do convento vizinho. Realizada em tempo recorde, entre 1726 e 1743, essa magnífica decoração é inteiramente obra de artistas portugueses, atraídos à colônia pela riqueza econômica gerada pelo ouro de Minas Gerais exportado através do Rio de Janeiro. Juntamente com a impressão de riqueza produzida pela cintilação dos dourados em ambiente de meia penumbra, o visitante recebe de imediato o impacto da harmonia de todo um conjunto ornamental, onde nada foi deixado ao acaso. Talha, pintura e imagens escultóricas estão em perfeita sintonia, por pertencerem a um único estilo, o barroco D. Joao V.

A pintura da nave tem como tema central a glorificação de São Francisco de Assis, representado com asas de serafim em uma auréola de luz, cercada de nuvens e querubins. Na capela-mor, o santo de Assis é representado no céu, ajoelhado diante de Cristo e da Virgem Maria, cena vista através de uma abertura no centro da abóbada semelhante a uma claraboia.

Na sacristia, situada à direita da igreja, com acesso a partir de uma porta lateral no sub-coro, os principais destaques são o belo arcaz rococó, com um dos mais expressivos Crucificados do Rio de Janeiro, e as pinturas do teto em painéis curvilíneos, de autoria de José de Oliveira Rosa.

Igreja de São Francisco de Paula

No Largo de São Francisco está ereta a histórica Igreja de São Francisco de Paula. Em 1754, foi fundada no Rio de Janeiro, pelo monge beneditino Frei Antônio do Desterro, a Venerável Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula, ele que era grande devoto do Santo Patriarca.

A inauguração, que ocorreu com grande pompa no ano de 1865, contou com a presença do Imperador D. Pedro II e Dona Teresa Cristina. Entre tantos outros benfeitores, consta João de Siqueira Costa, que se dedicou inteiramente à obra da Igreja e seus restos mortais repousam sob o altar-mor.

O plano da Igreja é composto por nave única, capela-mor profunda, corredores laterais, com altares colados às ilhargas, sacristia, consistório e capela para o noviciado.

A Igreja, construída no estilo neoclássico, apresenta fachada imponente, constituída por três segmentos, separados por belas pilastras de cantaria, decoradas até o grande beiral e reflete a tradicional arquitetura portuguesa.

A fachada é movimentada, com frontão curvilíneo de cantaria, sustentado por pilastras de ordem toscana. Nas duas torres cobertas por bulbos, revestidos de azulejos coloridos, há quatro sineiras com dois relógios cada. Atribui-se a Mestre Valentim a talha tanto da capela-mor, quando da capela privativa de N.S. da Vitória, pertencendo estas obras à sua última fase. As pinturas das paredes são de autoria de Manoel da Cunha, um escravizado que conseguiu aperfeiçoar suas técnicas na Europa e comprar a alforria com a paga de seus trabalhos.

 

Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé

A história da Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé se confunde com a história do Brasil. A Antiga Sé foi o palco de alguns dos mais importantes momentos dessa história, como a coroação de Dom Pedro I e Dom Pedro II, além de cenário dos casamentos reais.

A Igreja nasceu como uma pequena ermida dedicada à Nossa Senhora do Ó, construída poucos anos da ocupação portuguesa. Quando a ordem carmelita chegou ao Brasil, por volta de 1590, ocuparam as instalações dos beneditinos, entre elas, a ermida, que foi convertida em Capela da Ordem do Carmo. Em 1619, os frades iniciaram a construção de um convento, ao lado da capela e uniram os dois edifícios por de uma torre com portaria, posteriormente demolida para esticar a Rua Sete de Setembro (a torre agora existente é do século XX, realizada pelo Cardeal Arcoverde). O convento, de dois andares e 13 janelas cada, voltado para a Praça XV seria ocupado mais tarde, pela Rainha D. Maria. Anos depois, a capela, que estava em estado precário desabou e por volta de 1761, foi construído um novo templo.

O Mestre Inácio Ferreira Pinto realizou a belíssima talha dourada em estilo rococó. Quanto ao exterior, apenas o primeiro andar da fachada, com os três portais em estilo pombalino lisboeta, é ainda original. Foi essa igreja que, em 1808, D. João VI transformou em Capela Real, quando chegou ao Brasil. A família real foi instalada no então Palácio dos Vice-Reis, que hoje é o Paço Imperial na Praça XV.

Até 1976, quando foi inaugurada a Catedral Metropolitana, a Antiga Sé foi a igreja onde aconteceram algumas das cerimônias mais importantes da história do Brasil. Depois da morte de Dona Maria I, em 1816, a igreja ganhou novo sino e nova torre sineira para a aclamação de D. João VI como rei, em 20 de março do mesmo ano. Mais tarde, em 10 de dezembro de 1822, com a coroação de D. Pedro I como imperador e com o Brasil já independente de Portugal, o tempo passa a ser Capela Imperial. A igreja foi palco da coroação de D. Pedro II, além de todos os casamentos reais, como o da princesa Isabel com Louis Phillippe Gaston d’Orléans, o Conde D’Eu, em 15 de outubro de 1864. Com a proclamação da república, a igreja é remodelada pelo Cardeal D. Joaquim Arcoverde e é inaugurada como Catedral Metropolitana em 1º de maio de 1900.

 

Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores

A partir de 1747, a Igreja começou a ser construída no mesmo local onde havia um oratório dedicado à Nossa Senhora da Lapa, onde os comerciantes reuniam-se para rezar, na rua do Ouvidor, uma das ruas mais antigas do Rio de Janeiro. No ano de 1750, foi consagrada e cinco anos depois concluída. Grandes obras de remodelação foram feitas de 1869 a 1872, quando se refez a fachada do templo, construiu-se a torre sineira e completou-se a obra de talha do interior.

A fachada da Igreja é constituída, na parte inferior por três arcos. A parte superior é o resultado de reformas realizadas a partir de 1869, segundo projeto de Antônio de Pádua e Castro que deu-lhe um aspecto clássico. Apresenta-se composta por três grandes janelas, com guarda-corpo de mármore trabalhado, encimados por nichos com estátuas de São Bernardo e Santo Adriano, procedentes de Lisboa. Entre os dois, há um medalhão de mármore trabalhado representando a coroação da Virgem, encontrado em escavações realizadas no terreno.

Em 1893, no início da segunda Revolta da Armada, a torre sineira foi atingida por uma bala de canhão, causando a queda de uma das estátuas que compunha o acervo da igreja. Esta, mesmo após a queda de mais de 25 metros, sofreu poucos danos, o que foi considerado na época um milagre. Tanto a imagem quanto o projétil estão expostos até hoje na sacristia.

A decoração interior foi realizada em dois momentos; numa mais antiga, de fins do século XVIII, que corresponde ao retábulo da capela-mor e ao arco-cruzeiro, com elementos característicos do rococó. Outro momento, que está compreendido por volta de 1870-1872, relaciona-se às obras de estuque realizadas por Antônio Alves Meira ornamentando as cúpulas da nave e capela-mor e aos trabalhos executados por Antônio de Pádua e Castro para os retábulos da nave, púlpitos e coro.

 

Igreja de Nossa Senhora da Candelária

A Igreja de Nossa Senhora da Candelária com sua fachada voltada para a Baía de Guanabara é uma referência no universo do patrimônio construído da cidade do Rio de Janeiro. A Igreja surgiu em cumprimento de uma promessa feita por Antônio Martins da Palma e sua esposa, Leonor Gonçalves. O casal de espanhóis foi surpreendido por uma tempestade durante uma viagem marítima e invocou pela Santa de sua devoção, Nossa Senhora da Candelária, prometendo erguer uma capela no primeiro porto que chegassem a salvo. A promessa foi cumprida e, aportando no Rio de Janeiro, ergueram a capela.

No dia 03 de junho de 1775, a Provedoria da Irmandade autorizou a construção de um grandioso templo em estilo barroco, a atual Igreja de Nossa Senhora da Candelária, no lugar da capela já deteriorada pela ação do tempo. Após 123 anos de construção, a Igreja foi inaugurada em 10 de julho de 1898.

Ao longo de mais de dois séculos, a Igreja passou por reformas e revitalizações, sempre preservando os aspectos arquitetônicos originais e a tradição religiosa.

A Igreja é fruto de uma construção que permeia diversos tempos.

A cúpula feita de pedra de lioz portuguesa, concluída em 1877 pelo engenheiro Evaristo Xavier da Veiga, foi durante muito tempo a mais alta construção da cidade. Seu projeto foi do arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva. Foi instalada acompanhando as oito estátuas esculpidas pelo português José Cesário de Salles. As paredes e colunas foram revestidas de mármore policromado. Os seis painéis no teto da nave, que contam a história da igreja, assim como os painéis da parte de cima da cúpula da Igreja representando personagens do Antigo Testamento, a Virgem Maria e as Sete Virtudes, são do carioca João Zeferino da Costa, professor da Academia Imperial de Belas Artes e discípulo de Victor Meirelles.

 

Mosteiro e Morro de São Bento – Igreja Nossa Senhora do Monserrate

O Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro foi fundado em 1590 por dois monges vindos do Mosteiro da Bahia em 1589, vinte e quatro anos depois de fundada a cidade. Foi a segunda Ordem religiosa a estabelecer casa no Rio de Janeiro, sendo os beneditinos antecedidos apenas pelos jesuítas. Em 1596 já estava o Mosteiro consolidado, em local apropriado, onde ainda se encontra, sendo nessa ocasião erigido em Abadia. Tem como padroeira Nossa Senhora do Monserrate e integra a Congregação Beneditina do Brasil, que compreende hoje sete mosteiros masculinos e dezesseis femininos.

A Igreja, construída no estilo barroco-renascentista, tem em seu interior as três fases do Barroco Brasileiro. O templo apresenta fachada simples, contrastando com a riqueza de seu interior. Ao subir a ladeira de São Bento, nota-se a perfeita integração entre o contexto natural e a austeridade do conjunto monástico. Austeridade e classicismo ligados ao maneirismo são evidentes na rígida simetria, nas divisões verticais e horizontais em cantaria do centro da fachada com seu frontão triangular, ladeado por torres e arrematado em pirâmides. As três arcadas em arco pleno, formando um pórtico coberto, pertencem às tradições beneditinas com as atuais grades em ferro alemão.

A riqueza do interior se apresenta nas talhas barrocas do altar mor, no arco cruzeiro e na capela do Santíssimo Sacramento, com motivos fitomorfos, recobertas de ouro e no exuberante estilo rococó. O teto da nave central, abobadado em berço, e a pintura em apainelados retangulares marmorizados, são do século XVIII. Mestre Valentim da Fonseca e Silva é o autor dos moldes dos grandes lampadários de prata – com 227 quilos cada – colocados próximos ao arco cruzeiro.

O mosteiro e a sacristia, por força de regras de clausura dos monges, só podem ser visitados em horas marcadas e apenas por homens.

 

 

 

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