A segunda-feira de Carnaval (16) reafirmou a pluralidade do Rio, levando multidões às ruas com uma programação conectada a ritmos diversos, que foram além das clássicas marchinhas de Carnaval. Entre o Centro e a Zona Sul, blocos consagrados como Sargento Pimenta, Vem Cá Minha Flor, Carrossel de Emoções e Que Pena Amor ditaram o ritmo da folia.
O clima de festa começou cedo na Avenida Marechal Câmara. Às 8h, o bloco Vem Cá Minha Flor abriu os trabalhos com 30 mil foliões, transformando o Centro em um mar de cores e fantasias autorais.
Conhecido pelo público vibrante e esteticamente criativo, o grupo manteve sua essência de unir a alegria do Carnaval de rua mais atual, com pernaltas e performances, ao resgate dos carnavais antigos, com uma ala inteira de bate-bolas. Os foliões que chegaram cedo para a concentração ficaram admirados com o que viram.
“Esse ano eu vou fazer 60 anos e desde os meus 10 anos eu amo o Carnaval de rua. Gosto de estar no meio das pessoas, de ser feliz. Gosto de toda farra, na verdade. É tudo muito natural e tranquilo”, disse Sônia Dias, que foi ao bloco acompanhada da filha e da sobrinha. “Viemos de Nova Iguaçu, saímos 4h30 de casa e fomos as primeiras a chegar. Isso tudo por amor ao carnaval!”, vibrou.
Este ano, 18 bate-bolas, entre adultos e crianças, abriram o cortejo do bloco. Atrás deles, um grupo de pernaltas e os ritmistas da banda fizeram a alegria de quem participou, tocando marchinhas de carnaval, sucessos do axé e clássicos da MPB, tendo o Centro Histórico do Rio como pano de fundo.
Sargento Pimenta faz homenagem à Cássia Eller
O Palco Me Encontra, no Aterro do Flamengo, foi o cenário de um dos ritmos mais aguardados. Às 10h, o Sargento Pimenta subiu ao palco, fundindo a obra dos Beatles com a percussão brasileira e fazendo uma homenagem à cantora Cássia Eller.
Clássicos da banda inglesa ganharam roupagens de maracatu, samba e funk, provando por que o bloco é um fenômeno de público – ao todo cerca de 60 mil pessoas marcaram presença.
O Sargento Pimenta reafirmou sua identidade ao unir a tradição do Carnaval carioca à celebração da música internacional. Com raízes fincadas no Rio de Janeiro e no Brasil, o bloco ressalta a essência democrática da maior festa popular do país, marcada por reunir multidões em busca de alegria e celebração ao longo dos dias de folia.
A percussão apareceu como elemento central da manifestação cultural do grupo, tratada como o “pulmão” que sustenta o desfile, enquanto os ritmos brasileiros funcionam como combustível artístico. A partir dessa fusão musical, o bloco percorreu simbolicamente diferentes regiões do país, exaltando histórias, influências culturais e a diversidade sonora nacional.
O coletivo também destacou a forte ligação com a obra dos The Beatles, banda britânica que revolucionou a história da música e influenciou gerações ao redor do mundo. A admiração ultrapassa o repertório musical e reflete o impacto cultural e artístico deixado pelo quarteto, capaz de transitar entre diferentes estilos e linguagens sonoras, do entusiasmo pop de “Yeah, Yeah, Yeah” à psicodelia de Lucy in the Sky with Diamonds.
Para o Sargento Pimenta, o legado do grupo se traduz em algumas das composições mais marcantes da música mundial, que seguem inspirando o trabalho e a trajetória do bloco.
A multiartista Tacy foi uma das convidadas especiais do desfile de 2026. Cantora, compositora, instrumentista, modelo e atriz, a artista LGBTQIAPN+ se destaca pela atuação entre a música, o teatro e a cena contemporânea.
Tacy ganhou projeção nacional ao protagonizar o espetáculo “Cássia Eller, O Musical” e, desde então, vem se apresentando em palcos de grande visibilidade, como o festival Rock in Rio, além do Palco Me Encontra, no Aterro do Flamengo.
A cantora Amandona também fez participação na apresentação do bloco Sargento Pimenta e destacou a importância da artista.
“A gente vai homenagear a Cássia, cantando ‘Luz dos Olhos’ e ‘Malandragem’, além de apresentar uma música autoral inspirada no som dela, ‘Meu Vicio’, que vou dividir com o Sargento Pimenta. Acho essa homenagem mais do que justa. Cássia foi uma mulher atemporal e inspiradora, principalmente para outras mulheres e para a população LGBT+. É um símbolo que precisa ser sempre lembrado”, afirmou.
Funk carioca ganha protagonismo com o Carrossel de Emoções
Também no Palco Me Encontra, no Aterro do Flamengo, outro ritmo essencial da cultura carioca ganhou destaque. O Bloco Carrossel de Emoções chegou ao Carnaval celebrando 14 anos de trajetória e reafirmando sua identidade como um espaço onde o funk carioca encontra a festa popular de rua.
Fundado por Fernando Guina, o bloco construiu ao longo dos anos uma história marcada por mudanças de território, crescimento de público e, principalmente, pela valorização da cultura periférica dentro do maior evento popular do país.
Apesar do sucesso, Guina sentiu a necessidade de reposicionar o bloco, atendendo a um desejo antigo do público e do próprio fundador. “Eu senti essa necessidade de estar perto da praia, de estar mais aqui na Zona Sul. A galera cobrava muito isso da gente”, contou.
Com o apoio da Riotur, parceira histórica do Carrossel, o bloco passou a integrar o Palco Me Encontra, dividindo a programação com nomes consagrados do Carnaval carioca, como o Bangalafumenga e o próprio Sargento Pimenta.“São referências do Carnaval do Rio. A gente chega somando”, destacou o fundador.
A proposta do Carrossel de Emoções é clara: levar para o centro da festa a história do funk carioca e do funk brasileiro. O desfile reuniu diferentes gerações do gênero, com participações da velha guarda, como MC Amaro, e da nova cena, como FP Trem Bala e Puterrier. No repertório, sucessos que atravessaram décadas, dos anos 1980 e 1990 até os dias atuais, com hits de Claudinho & Buchecha, MC Marcinho, Sapão, entre outros.
A programação completa vai até o dia 22 de fevereiro e pode ser conferida no aplicativo Blocos do Rio 2026 e no site oficial https://www.carnavalderua.rio/ garantindo que todos os foliões saibam onde e quando a folia vai rolar.
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