compartilhe

Foliões marcaram presença em vários blocos da cidade: Vagalume O Verde e Clube do Samba foram algumas das opções.

A Cidade Maravilhosa ferveu nesta terça-feira (17) de Carnaval com inúmeras opções de blocos para todos os gostos e idades. O megabloco Fervo da Lud, comandado por Ludmilla, reuniu cerca de 600 mil foliões no Circuito Preta Gil, no Centro, logo cedo.

Do funk ao pop, sem esquecer de hits carnavalescos e do samba, a cantora agitou uma multidão do alto do trio. O clima era de alegria, diversidade e com fantasias caprichadas.

À frente de seu bloco, ela celebrou mais um aniversário do projeto que já se tornou tradição no calendário carnavalesco da cidade em uma festa marcada pela energia coletiva.

Neste ano, o tema escolhido foi “Ritmos do Brasil”, uma homenagem à pluralidade sonora que forma a identidade cultural do país. Ao longo das edições, o bloco já passeou por referências como rap, funk, reggae, axé e, desta vez, dedicou o dia ao samba — gênero diretamente ligado à história do Carnaval carioca. “Nada melhor do que representar o samba do Rio de Janeiro”, afirmou a artista durante a entrevista coletiva do evento.

Ao refletir sobre a dimensão que seu bloco alcançou, a cantora ressaltou a importância simbólica e social do projeto. Inspirada e incentivada por Preta Gil, a quem fez questão de homenagear mais uma vez, Ludmilla vê o Carnaval como a realização de um sonho e também como espaço de geração de trabalho, renda e visibilidade. “Sou uma mulher que veio da comunidade e hoje poder ver no que a minha carreira se tornou é maravilhoso”, afirmou, emocionada, destacando o impacto do evento para sua equipe e para a cidade.

Ao avisar o “mar de gente” do alto do trio, Lud disse qual era o sentimento no momento. “É sempre de gratidão, de sonho realizado, de ter tanta gente que confia no meu trabalho, que curte meu trabalho, que acorda tão cedo pra gente aproveitar junto. É sempre a realização de sonho, estar puxando o trio elétrico aqui. Eu estou na minha cidade, estou em casa, jogando em casa é sempre maravilhoso”, comemorou.

Durante o cortejo, Ludmilla prestou uma homenagem à cantora Preta Gil, uma das maiores incentivadoras do Fervo da Lud, e cantou “Sinais de Fogo” e o público fez coro.

O desfile também dialogou com o momento atual da sua carreira. A cantora destacou o lançamento recente da faixa “Bota”, música que carrega uma estética fortemente brasileira. Segundo ela, a canção surgiu como uma surpresa dentro do projeto mais recente e reforça essa conexão com o país, especialmente em um ano marcado por grandes eventos esportivos e simbólicos.

Conhecida por transitar entre estilos com naturalidade, ela destacou que essa mistura de ritmos faz parte de sua história pessoal. Criada em um ambiente familiar musical, ela cresceu ouvindo diferentes gêneros e se reconhece como parte dessa diversidade. “Brasileira é isso”, resumiu, ao falar sobre pertencimento e identidade cultural.

Ludmilla analisou o próprio passado com carinho e bom humor. Ao imaginar o que sua versão mais jovem pensaria de tudo isso, respondeu sem hesitar: “Estaria orgulhosa. Uma trajetória construída com música, trabalho e uma relação genuína com o público — especialmente nas ruas do Carnaval do Rio”, completou.

Vagalume O Verde se apresenta com a proposta de consciência ambiental

Enquanto o Centro fervia com o funk, outros bairros ofereceram alternativas para diferentes perfis de foliões. O projeto Plantando Carnaval, que transforma os desfiles em instrumentos de enfrentamento às mudanças climáticas, inclusão social e fortalecimento territorial, ganhou forma no cortejo do Bloco Vagalume O Verde, na Rua Jardim Botânico, em uma área de relevância histórica, cultural e ambiental da cidade.

O desfile também assumiu um caráter simbólico, com a presença da Rainha Preta Letícia à frente da bateria do mestre Yago, formada por 120 batuqueiros e músicos oriundos das oficinas do próprio bloco. Após o cortejo, uma banda com 13 integrantes conduziu o trio elétrico até o encerramento, com repertório que reuniu clássicos do Carnaval e sucessos populares.

“Comecei indicando meninas para serem rainhas, depois participei como destaque e musa. Com o tempo, me convidaram para ser rainha e eu aceitei. Faço tudo por amor e conto com uma equipe que cuida de tudo comigo, porque ninguém faz nada sozinho”, afirmou a rainha Preta Letícia.

O mestre de bateria do Vagalume o Verde, Iago Simões, destacou o caráter sustentável do desfile. “O bloco tem uma proposta diferente, voltada para a conscientização ambiental, e a bateria também desenvolve projetos sociais, como o plantio de mudas, indo além do carnaval”, afirmou.

Sobre a madrinha de bateria, o mestre enfatizou a importância da presença dela no grupo. “Ela é uma pessoa fantástica, irreverente, muito alegre e já se tornou um ícone aqui do bloco, levando ainda mais energia para a bateria”, completou.

O presidente do Vagalume o Verde, Hugo Camarate, destacou que o desfile reforça a pauta ambiental e a identidade do território do Jardim Botânico. “Levamos mais uma vez o verde para a rua, valorizando a comunidade e ampliando o projeto Plantando o Carnaval, que reúne grandes blocos para fortalecer o protagonismo dos catadores, mensurar a pegada de carbono e promover compensação ambiental com mudas da Mata Atlântica, em parceria com o Parque Nacional da Tijuca e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, sem deixar de lado a qualidade musical e o clima de celebração do bloco”, afirmou.

Realizado com blocos da Liga Amigos do Zé Pereira, o projeto amplia sua atuação coletiva e propõe um modelo estruturado de compensação das emissões de gases de efeito estufa geradas pelos desfiles. A iniciativa combina o trabalho de cooperativas de reciclagem — promovendo geração de renda e destinação adequada de resíduos — com o plantio de mudas nativas em processos certificados de compensação ambiental.

Clube do Samba eterniza memória de João Nogueira

Em seu quadragésimo sexto destile o tradicional bloco Clube do Samba tem um motivo mais do que especial para comemorar: seu fundador, o sambista João Nogueira, completaria 85 anos este ano. Diogo Nogueira, filho do artista, comandou o bloco e falou sobre o legado do pai.

“Quero homenagear meu pai que estaria fazendo 85 anos e deixou esse bloco que já desfila há 46 anos levando o samba, levando a alegria pra todo mundo”, disse.

Bastante emocionada, a viúva do artista, Angela Nogueira, destacou a importância do bloco para o samba como patrimônio cultural brasileiro. “Esse bloco é o símbolo de João Nogueira. Ele vem sendo comemorado desde a partida dele, desde 2001, que nós comemoramos João Nogueira e esse sonho de criar o Clube do Samba, de fazer tudo isso e nós damos continuidade. Tudo que fazemos é por conta dele! É pelo amor… pelo samba! E por tudo que ele pensou em construir com o objetivo de propagar o samba. Ter esse bloco desfilando há tantos anos é um jeito de comemorar a vitória do samba, da nossa linguagem popular brasileira maior que é o samba”, disse.

A foliã Joana Maria Gonçalves desfilo no Clube do Samba há mais de 20 anos. “Conheci João Nogueira ainda criança porque a minha família é do samba. Acho bonito Diogo ter assumido o lugar do pai. Ele vem perpetuando o legado do João, a cultura do samba. E acho que essa cultura do carnaval começou com o Rio de Janeiro, principalmente. Se o Carnaval é o que hoje é graças ao Rio e a figuras como o João Nogueira”, opinou.

Joana acredita que quando você comemora datas específicas, está perpetuando esse legado. “Todos os outros estados fazem Carnaval, mas o samba é o Rio de Janeiro. E eu acho isso muito importante, acho que isso deve ser mais divulgado”, completou.

A programação completa vai até o dia 22 de fevereiro e pode ser conferida no aplicativo Blocos do Rio 2026 e no site oficial https://www.carnavalderua.rio/ garantindo que todos os foliões saibam onde e quando a folia vai rolar.

Envie por email

Enviando mensagem...