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Nesta sexta-feira (19), o Dia do Cinema Brasileiro celebra a trajetória da produção audiovisual nacional e sua contribuição para a cultura do país. Ao longo das décadas, o Rio consolidou-se como um dos principais cenários do cinema brasileiro, servindo de pano de fundo para filmes que retratam diferentes aspectos da história, da sociedade e da identidade cultural do Brasil.

Das produções que ajudaram a contar essa história, algumas têm a cidade como elemento central da narrativa, apresentando diferentes olhares sobre a cidade e seus personagens ao longo do tempo.

Rio, 40 Graus (1955)

Dirigido por Nelson Pereira dos Santos, é um dos maiores divisores de águas da história do cinema brasileiro. Sendo o grande precursor do Cinema Novo, o filme revolucionou a forma de retratar a realidade do país. Sua abertura traz as cenas dos cartões-postais da cidade ao som de uma das músicas mais icônicas da história do samba: “A Voz do Morro”, composta por Zé Keti (“Eu sou o samba / Sou natural daqui do Rio de Janeiro…“). O filme exportou e promoveu a sonoridade do samba carioca como a trilha sonora oficial de quem visita a cidade, associando diretamente o destino à sua riqueza musical. 

Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968)

Na trama, o cantor Roberto Carlos é perseguido por uma quadrilha que pretende explorar seu talento para produzir canções em larga escala. O longa mistura música, ação e humor em cenários cariocas. Se Rio, 40 Graus promoveu o Rio através do realismo, do samba e da crueza das ruas, a produção dirigida por Roberto Farias fez exatamente o oposto. Ele transformou o Rio em um cenário de superprodução pop, futurista, cosmopolita e recheada de adrenalina. A cena mais famosa do filme  mostra um helicóptero pilotado pelo próprio Roberto Carlos passando por dentro do vão livre do Túnel do Pasmado e, logo depois, pousando no topo do Pão de Açúcar.

Ópera do Malandro (1986)

Inspirado no musical de Chico Buarque, o filme acompanha a trajetória de um vigarista elegante que sobrevive aplicando pequenos golpes, tendo a região central como cenário da narrativa. O filme é uma grande ode à Lapa, consolidando o bairro de vez como o berço da boemia. Mesmo retratando a década de 1940, o longa foi lançado nos anos 1980 — justamente no período em que a Lapa passava por um forte processo de redescoberta e revitalização cultural. A música de Chico Buarque é o grande motor de promoção do Rio neste longa. Canções como “Homenagem ao Malandro”, “O Meu Amor” e “Pedaço de Mim” funcionam como uma engrenagem que conecta o espectador à melancolia, ao lirismo e à alegria da cidade.

Central do Brasil (1998)

A premiada produção conta a história de uma ex-professora que escreve cartas para pessoas analfabetas na estação Central do Brasil, enquanto embarca em uma jornada que se tornou uma das mais reconhecidas do cinema nacional. O longa rendeu a atriz Fernanda Montenegro o prêmio de melhor atriz no Globo de Ouro e indicação ao Oscar de melhor atriz. O filme transforma a Estação Central do Brasil — um marco arquitetônico e de transporte da cidade — no cenário principal do seu primeiro ato. Longe das praias da Zona Sul, o longa promoveu o Rio da região Central e Leopoldina, mostrando a estação não apenas como um terminal de trens, mas como um monumento vivo à diversidade humana.

Orfeu (1999)

Ambientado durante o carnaval carioca, o longa revisita o mito de Orfeu e Eurídice em meio à realidade das comunidades cariocas. Diferente da abordagem cinzenta e documental que viria nos anos seguintes com o cinema de crime, Cacá Diegues promoveu a favela carioca como um lugar de explosão estética, beleza e exuberância visual. Filmado em grande parte no Morro da Babilônia, o longa usou a cinematografia para emoldurar a comunidade contra o azul do mar da Zona Sul e o verde das encostas. A favela foi promovida como o topo do mundo — um “Olimpo” pulsante, cheio de dignidade, arte e cores tropicais.

Madame Satã (2002)

O filme retrata a vida de João Francisco dos Santos, explorando a boemia, a resistência e a marginalidade da Lapa, um dos bairros mais emblemáticos da cidade. Com Madame Satã, a imagem do Rio ganhou uma densidade artística impressionante nos anos 2000, provando que a história do destino se escreve tanto sob o sol de Copacabana quanto sob a luz dos refletores dos antigos cabarés da Lapa.

Cazuza – O Tempo Não Para (2004)

A cinebiografia revisita a trajetória de um dos artistas mais marcantes da música brasileira, retratando diferentes momentos de sua vida e carreira. Lançado no início dos anos 2000, o filme dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho, capturou o espírito de uma das eras mais vibrantes e transformadoras do Rio de Janeiro: os anos 1980. O longa, que acompanha a trajetória meteórica e visceral de Cazuza (vivido de forma brilhante por Daniel de Oliveira),resgatou a imagem da cidade como a capital do rock nacional, da juventude transgressora e da boemia de praia.

Era Uma Vez (2008)

O romance acompanha um jovem morador de favela que trabalha em um quiosque da orla carioca e se apaixona por uma garota de uma realidade social completamente diferente. O filme usa a Praia de Ipanema (especialmente o trecho entre o Posto 8 e o Posto 9) como o ponto central de conexão dos protagonistas. O quiosque onde Dé trabalha e a areia da praia são promovidos como o verdadeiro “território neutro” e democrático da cidade, onde os mundos se encontram. O longa ajudou a consolidar a orla de Ipanema não apenas como um local para tomar sol, mas como o espaço integrador e cinematográfico do Rio.

Ainda Estou Aqui (2024)

Lançado em 2024, dirigido por Walter Salles e baseado no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, Ainda Estou Aqui promoveu o Rio sob uma perspectiva profundamente íntima, nostálgica e arquitetônica. Grande parte da narrativa se passa na icônica casa da família Paiva, localizada na Avenida Delfim Moreira, de frente para a praia do Leblon. O filme promove a arquitetura modernista carioca e o estilo de vida de portas abertas da cidade: uma casa cheia de música, livros, amigos, jovens circulando de roupa de banho e uma constante circulação de afeto. Para quem assiste, o Rio é promovido como o ápice da hospitalidade, do bom gosto e da convivência comunitária espontânea.

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