Cortejo transforma as ladeiras do bairro em palco de encontro, memória e celebração.
O sagrado e o profano voltaram a se encontrar na tarde desta sexta-feira, 13 de fevereiro, pelas ruas de Santa Teresa. O bloco Carmelitas arrastou uma multidão de foliões que enfrentou o sol escaldante, e temperatura de 32º, para acompanhar as famosas freirinhas, símbolo maior do bloco, ao longo do cortejo.
Com o tema “Entre a gente é secreto, minha freira”, o Carmelitas misturou bom humor e uma crítica ácida às condições do bairro.
Simone Feital desfila no Carmelitas há 20 anos e afirma que o mais bonito do bloco é a construção coletiva de uma manifestação cultural.
“Que significa muito nas nossas vidas, porque é nesse momento que a gente se junta, que a gente troca informações, que a gente entra na folia, que a gente inventa uma história, um estilo”, disse.
Para o desfile deste ano, ela apostou em uma fantasia com a mensagem de mulheres vivas contra o feminicídio.
“O machismo mata. E esse ano, eu e um grupo de amigas estamos saindo com essa proposta de relacionar a folia com o movimento mais profundo, que é um movimento extremamente necessário contra o feminicídio. Porque estamos vendo hoje coisas absurdas acontecendo e a gente precisa dizer não a isso, então é isso, não é não, meu corpo, minhas regras”, completou.
Um dos cantores do bloco, Júlio Pajé contou que começou a compor sambas no Carmelitas.
“Desde então fui convidado pela diretoria pra cantar ao lado dos outros intérpretes. Eu acho que o Carmelitas é um bloco importante pra Santa Teresa, para a cidade, pro Carnaval… É muito difícil você manter 36 anos um bloco na rua. Há toda a dificuldade de produção musical, produção executiva, organização, tudo o que isso demanda. Então eu acho que a manutenção de blocos como o Carmelitas é importante pra manutenção do carnaval enquanto manifestação de cultura popular”, disse.
Das portas e janelas, moradores de Santa Teresa se juntaram à festa. Cantando, dançando e jogando água nos foliões para amenizar o calor intenso, mostraram que o Carmelitas vai muito além de um bloco de carnaval, é um verdadeiro patrimônio do bairro.
André Luiz, da equipe de coordenação, celebrou a trajetória de 37 anos do bloco, marcada por alegria e irreverência. “É igual filho, só amor pelo bloco que faz isso”.
Porta-bandeira há 16 anos, Iara Barbosa nasceu e foi criada em Santa Teresa. “Meu pai é um dos fundadores do Carmelitas e todos do bloco são amigos dos meus pais, então eu cresci junto com o bloco. É uma grande família do bairro, o bloco passa na porta da minha casa. É uma honra levar a bandeira das Carmelitas, que eu estou desde criança, pelas ruas de Santa Teresa”, vibrou.
“Esse ano a gente vem falando de mais amor, por favor, né? Eu acho que a gente tem que olhar pro bairro, que é um patrimônio tombado, cuidar do nosso bonde, da nossa infraestrutura, o transporte é muito importante… O bloco sempre vem fazendo críticas sociais, políticas e muita irreverência característica”, completou.
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