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Com o tema “Loucura Suburbana, eu ‘Tiamu” o bloco Loucura Suburbana levou toda a sua irreverência para as ruas do bairro do Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio, na tarde desta quinta-feira, 12 de fevereiro. O samba, composto por Gabriel Cascardo, Yuri Branco, Cecília Cruz e Bruno Page, o Loucura celebra sua própria história em 2026. O enredo homenageia seus baluartes, como Zé Espinguela, Dona Ivone Lara, que durante anos trabalharam no Instituto e a própria Nise da Silveira, sem a qual o bloco não existiria.

Emocionado, Binho, intérprete oficial do bloco, destacou a importância da agremiação em sua trajetória pessoal e na vida da comunidade do Engenho de Dentro. “Este ano completo 24 desfiles pelo bloco e, para mim, é sempre um dia de muita alegria e emoção. Procuro levar essa mesma felicidade para toda a comunidade do Engenho de Dentro, porque o que a gente vive aqui vai muito além da música. Este bloco representa paz, liberdade e inclusão. Ele é parte da minha história. Hoje minha filha também desfila, e minha esposa, Lívia, participa pela primeira vez no carro de som como intérprete. Para mim, o bloco é vida, é integração, é tudo aquilo que o ser humano precisa: união, respeito e muito samba”, afirmou.

Criado em 2001 como parte do processo de desconstrução do modelo de saúde mental vigente dentro do Instituto Municipal Nise da Silveira, o bloco se integra à vizinhança do hospital no resgate do Carnaval de Rua do subúrbio do Rio. Alegre e descontraído, ele é formado por “clientes” do Instituto,como a doutora Nise costumava chamar seus pacientes, famíliares, profissionais de saúde mental e moradores do entorno. 

Ao longo de seu percurso é possível ver moradores de casas e prédios saírem para acompanhar o bloco, que conta com um carro de som, bateria, intérprete e pernaltas, que abrem o cortejo. As fantasias são confeccionadas em oficinas que acontecem durante todo o ano dentro do Instituto. O mesmo acontece com os ritmistas, que ensaiam nas dependências do instituto ao longo do ano.

Durante a concentração é possível ver a integração entre os clientes e visitantes, que se unem numa sintonia única para curtir o desfile. Com estandartes e fantasias divertidas, eles fazem questão de mostrar o resultado do trabalho das oficinas para todos que se aproximam para curtir o desfile. 

Casados há 15 anos, Alexandre de Oliveira Souza e Andréa Souza saem de Copacabana todos os anos para acompanhar o desfile do Loucura Suburbana. O casal conta que a relação com o bloco começou há nove anos, motivada pela filha, paciente de saúde mental e apaixonada por Carnaval. “Temos uma filha que é paciente de saúde mental e, para nós, é muito importante apoiar movimentos que trabalham essa questão. O Loucura entrou na nossa vida há nove anos por causa dela, que ama o Carnaval. E nada melhor do que curtir com ela em um bloco tão agregador quanto esse”, conclui Andréa.

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