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O Carnaval de Rua é feito de música, encontro e ocupação do espaço público. Mas por trás da imagem da folia existe uma engrenagem complexa, sustentada por personagens que tornam possível a maior manifestação cultural do país. 

Garis, ambulantes, foliões e organizadores são protagonistas de uma festa que vai muito além do entretenimento: ela movimenta a economia, fortalece identidades e transforma a cidade.

Garis: quem cuida da cidade enquanto a festa acontece

Foto: Fernando Maia | Riotur

Após a passagem dos blocos, toneladas de resíduos ocupam as ruas e avenidas: garrafas, latinhas, copos e papéis que fazem parte do rastro da festa. É nesse momento — muitas vezes ainda durante a madrugada — que entra em cena o trabalho essencial dos garis.

No Carnaval do Rio, a Comlurb mobiliza milhares de profissionais em operações especiais para garantir que a cidade amanheça limpa e apta a receber novos desfiles no dia seguinte. Em 2025, mais de 8.500 garis atuaram simultaneamente nos blocos de rua, no Sambódromo e na Intendente Magalhães, removendo centenas de toneladas de resíduos.

E nesse ano não será diferente, será a maior operação de limpeza hidráulica e mecanizada com 13.714 trabalhadores, sendo 9.736 garis. Além da varrição e coleta, esses profissionais utilizam equipamentos como sopradores e caminhões compactadores, o que garante agilidade e eficiência mesmo em cenários de grande concentração de pessoas.

Ambulantes: economia popular que sustenta a folia

Foto: Alexandre Macieira / Riotur

Os ambulantes são outro pilar invisível — e indispensável — do Carnaval de Rua. Mais do que conveniência, essa atividade representa renda e trabalho para milhares de famílias.

A venda de cerveja, água e alimentos movimenta uma cadeia econômica que impacta diretamente o turismo, o comércio e os serviços.

O credenciamento oficial tem papel central nesse processo. Ao organizar o espaço urbano e garantir acesso igualitário às vagas, ele promove inclusão produtiva e torna o Carnaval mais democrático e sustentável. No Rio, o aumento expressivo no número de ambulantes credenciados nos últimos anos reforça a dimensão social da festa e sua capacidade de gerar oportunidades reais.

Foliões: quem dá alma e identidade ao Carnaval

Foto: Alex Ferro / Riotur

Sem folião, não existe Carnaval de Rua. São eles que dão vida aos blocos, transformam as ruas em palcos e resgatam o espírito coletivo da festa. O folião é, ao mesmo tempo, público e protagonista.

Através do humor e da criatividade, os foliões são responsáveis por manter viva a memória cultural do Carnaval, resgatando marchinhas, ritmos antigos e referências populares, adaptadas aos tempos atuais. As fantasias de rua, livres e espontâneas, contrastam com a formalidade dos desfiles e reafirmam o carnaval como espaço de liberdade de expressão.

Ao ocupar o espaço urbano, o folião promove inclusão e pertencimento. Diferentes classes, idades, corpos e identidades se encontram, reforçando o Carnaval como um ato coletivo de resistência cultural e afirmação da cidade como território vivo.

Organizadores: quem transforma a espontaneidade em estrutura

Foto: Alex Ferro / Riotur

Por trás de toda a celebração, existe um trabalho técnico e estratégico fundamental: o do organizador de cada bloco. São eles que transformam a espontaneidade da folia em um evento seguro, estruturado e viável na cidade que recebe milhões de pessoas nas ruas.

O organizador coordena logística, segurança e mobilidade urbana. Planeja as rotas, horários, dispersão de público e dialoga com órgãos públicos para garantir a integridade de foliões, moradores e trabalhadores envolvidos. Também é responsável pela infraestrutura dos blocos — banheiros químicos, controle de multidões e conformidade técnica dos trios elétricos.

Além disso, o organizador busca viabilizar economicamente o desfile, articulando patrocínios, parcerias e incentivos que também fortalecem a economia local.

Na dimensão cultural, cuida da identidade artística do bloco, da música e da harmonia do cortejo, garantindo que tradição, inovação e qualidade caminhem juntas.

Um Carnaval feito de pessoas

O Carnaval de Rua é um organismo coletivo. Ele só acontece porque diferentes personagens atuam de forma interdependente, sustentando uma das maiores expressões culturais do Brasil. Garis, ambulantes, foliões e organizadores não estão nos bastidores — eles são o próprio espetáculo.

Reconhecer esses papéis é entender que o Carnaval não é apenas festa: é trabalho, cultura, economia, cidadania e ocupação consciente da cidade.

Para mais informações sobre o Carnaval de Rua do Rio, acesse o site carnavalderua.rio ou baixe o aplicativo Blocos do Rio 2026.

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