"> Chegou a hora: o espetáculo já vai começar! | Riotur.Rio

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Nesta sexta, 17.2, as escolas da Série Ouro abrem a sequência de desfiles do Carnaval 2023 na Marquês de Sapucaí. Durante os quatro dias mais aguardados do ano, as agremiações vão encher de cor e emoção o  Sambódromo

As escolas de samba da Série Ouro,  antigo Grupo de Acesso, abrem os desfiles oficiais no Sambódromo, dando início a um show de cultura, samba, beleza, emoção e muita criatividade.

A Série Ouro é uma das principais atrações do Carnaval carioca. Passarão pela Avenida escolas tradicionais, como União da Ilha, São Clemente, Estácio de Sá e Império da Tijuca.

 Na abertura, que acontece a partir das 21h30, sete escolas pisarão na Marquês de Sapucaí: Arranco do Engenho de Dentro, Lins Imperial, Acadêmicos de Vigário Geral, Estácio de Sá, Unidos de Padre Miguel, Acadêmicos de Niterói e São Clemente.

Para o diretor de carnaval da Unidos de Padre Miguel, Marquinho Marino, a escola está preparada para fazer um grande desfile e brigar pelo título de campeã:

“A Mocidade Independente é uma escola muito forte, é uma escola grande. Ano passado, infelizmente, tivemos alguns problemas de desfile e problemas técnicos, se não estaríamos lá em cima, entre as três. Se não errarmos agora a tendência é ter a escola entre as quatro primeiras”.

A São Clemente voltou à Série Ouro no último carnaval depois de 12 anos no grupo especial. E este ano pretende recuperar o lugar, com um desfile irreverente na Sapucaí.

“A São Clemente vai perturbar nesse desfile. A escola está irônica, colorida, com sátira, e vai fazer um sucesso na avenida”, comentou Roberto Gomes, vice-presidente da Escola de Botafogo, Zona Sul. 

Já no sábado, 18.02, a partir das 21h, quem comanda os desfiles são as escolas União de Jacarepaguá, Unidos da Ponte, Unidos de Bangu, Em Cima da Hora, Unidos do Porto da Pedra, União da Ilha do Governador, Império da Tijuca e Inocentes de Belford Roxo.

 “A nossa comunidade está preparada para representar bem São João de Meriti na Marquês de Sapucaí e iremos em busca do título”, revelou o presidente da Unidos da Ponte, Rosemberg de Azevedo, que está de volta à agremiação após ter comandado a escola entre 2017 e 2020. 

Quem também traz de volta um antigo colaborador é a Unidos do Porto da Pedra, agremiação do município de São Gonçalo. O carnavalesco, Mauro Quintaes, com uma vasta trajetória no carnaval, retorna à escola que o projetou. “Retornar ao Porto da Pedra nesse momento, depois de 35 anos de carreira, é muito significativo porque foi a escola que me projetou há 24 anos. Vim contribuir com a escola, da melhor maneira possível e tentar colocá-la de volta em seu lugar de origem, que é o Grupo Especial”, disse Mauro.

Por dentro dos enredos

A Arranco será a primeira a sentir a emoção de pisar na Passarela do Samba. A escola de Engenho de Dentro, trará para a avenida o enredo Zé Espinguela, Chão do Meu Terreiro.  José Gomes da Costa, o  Zé Espinguela, foi  um jornalista, escritor, pai-de-santo e  uma figura emblemática do samba carioca. Amigo do compositor e músico Heitor Villa Lobos, Zé Espinguela foi um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira.  O samba fala de negritude, ancestralidade. A azul e banco, afilhada da Portela, vai defender na avenida as raízes e heranças africanas.

A Lins Imperial, segunda escola a desfilar na sexta-feira, escolheu o enredo “Madame Satâ, Resistir Para Existir”. Madame Satã, encarnado pelo transformista pernambucano João Francisco dos Santos, foi um dos mais emblemáticos e representativos personagens da vida noturna e marginal da Lapa carioca na primeira metade do século XX.

A Acadêmicos de Vigário Geral vai levar o universo infantil para a Sapucaí, com o enredo “A Fantástica Fábrica da Alegria”.

A Estácio de Sá, 11 vezes campeã do carnaval carioca em vários grupos diferentes, levará o Nordeste para o Sambódromo, com um desfile colorido e animado, com muito batuque e toadas. Vai ter quadrilha, uma homenagem especial à cidade de São Luiz do Maranhão, com a tradicional festa do Bumba Meu Boi, e reverência aos Santos.

Já a Unidos de Padre Miguel, vai falar da influência árabe na cultura nordestina com o enredo “Baião dos Mouros”, numa retomada à temática nordestina depois de oito anos defendendo enredos africanos. A vermelho e branco da Vila Vintém vai desfilar com 2500 componentes em três alegorias, dois tripés e 23 alas.

Estreando na Série Ouro, a Acadêmicos de Niterói traz o enredo “O Carnaval da Vitória”. A escola quer comemorar a volta do carnaval carioca e fazer uma homenagem à Cidade Sorriso, que faz 450 anos.

Questionando na Avenida o ‘’descobrimento’’ do Brasil, a São Clemente promete fazer um desfile alegre e irreverente ao inverter a lógica da colonização. ‘’O que aconteceria se os nossos povos originários tivessem ido para as terras europeias e não o contrário?’’. Com este enredo, o carnavalesco Jorge Silveira intitulado “O Achamento do Velho Mundo” propõe uma viagem lúdica e divertida que começa quando o Sol aparece e só termina em uma grande festa à noite, nas novas terras chamadas de Euroca, em vez de Europa.

Quem abre os desfiles no sábado é a União de Jacarepaguá. Vencedora da Série Prata, a escola está de volta à Marquês de Sapucaí com o enredo: “Manuel Congo e Marianna Crioula, os Heróis do Vale do Café”, que conta a história dos escravos consagrados como heróis na revolta no Vale do Paraíba Fluminense, em 1838.

“Liberte nosso sagrado: o legado ancestral de Mãe Meninazinha de Oxum” será o tema que a escola de São João de Meriti levará para a Sapucaí.  A Unidos da Ponte fará uma homenagem a uma das mais importantes Iyalorixás do Brasil contra o racismo religioso. Durante 30 anos, Mãe Meninazinha e várias lideranças religiosas de matriz africana lutaram para libertar a coleção de objetos sagrados que foram apreendidos em batidas policiais no final do império até a Era Vargas e que estavam em poder do Museu da Polícia Civil.

Mais antiga escola de samba da Zona Oeste, a Unidos de Bangu vai cruzar o Sambódromo no sábado, com o enredo “ Aganju a Visão do Fogo, A Voz do Trovão no Reino Oyo”. No ano passado a Escola ficou em sétimo lugar, com um desfile marcado por problemas, além do estouro do tempo máximo em 3 minutos.

Este ano a Unidos de Bangu pediu passagem para Xangô e outros Orixás das religiões de matriz africana para pisar na avenida e fazer um desfile com garra e superar de vez a onda de dificuldades enfrentadas em 2022.

A azul-pavão e branco de Cavalcanti será a quarta escola a desfilar no sábado de carnaval, na Marquês de Sapucaí. O GRES Em Cima da Hora, vai contar a história de Esperança Garcia, mulher negra escravizada que, no século XVIII, no Piauí colonizado, ergueu-se como voz da resistência e lutou contra os terrores da escravização.

A Unidos do Porto da Pedra, convida o público para uma viagem extraordinária recheada de mitos e lendas da Amazônia. Inspirado na capacidade do escritor francês Júlio Verne de contar histórias e mexer com a imaginação de seus leitores, o pavilhão vermelho e branco de São Gonçalo, vai celebrar na Sapucaí os mestres, famosos ou anônimos, que através das gerações eternizam o encantamento da sabedoria popular e a arte cabocla entre festas, luzes e pajelanças.

Fazendo na Sapucaí um encontro das águias, a União da Ilha do Governador vai homenagear os 100 anos de fundação da Escola de Samba Portela, madrinha da agremiação.

O Império da Tijuca buscou inspiração na cultura afro-brasileira e nas artes que envolvem as religiões de matrizes africanas para falar de racismo e intolerância religiosa, no enredo “Cores do Axé”. Para a tradição nagô-iorubá,  Axé é a energia vital que está presente no universo desde sua criação, estando  na humanidade e nas substâncias naturais da Terra. Axé também é a força do encontro.

Fechando o desfile de sábado, a Inocentes de Belford Roxo vai fazer uma imersão na história da tradicional cultura capixaba e fazer o público celebrar as “Mulheres de barro”, tema do enredo deste carnaval.

Os desfiles das escolas de samba da SÉRIE OURO são organizados pela Liga RJ, que estima atrair durante as apresentações um público de 120 mil pessoas entre espectadores nas arquibancadas e camarotes, passistas, ritmistas, profissionais do Carnaval e de diversas áreas. 

 

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